terça-feira, 31 de maio de 2011

Idiossincrática - composição de Flávia Matias




Nesta transcrição, seguimos o estudo de harmonização, agora dando origem a uma melodia secundária, na parte escrita para violão. Foram utilizadas todas as notas e todos os acordes da escala de Sol Maior (em tétrades e/ou com notas acrescentadas). Além disso, no final da introdução, há dominantes individuais, formando um pequeno ciclo de quintas. Outra peculiaridade dessa peça é que abre um espaço para improviso, quando é retomada a progressão harmônica que compõe a introdução!

*Uma produção em conjunto da turma - Oficina de Criação Musical, 2010/2011.
Integrantes: Wagner Rodrigues, Flávia Matias, Francisco Pisseti e Luis Carlos.
Orientador: Diego Costa.

sábado, 2 de abril de 2011

Apreciação e Análise Musical III

MÚSICA - PEQUENO QUARTETO DE CORDAS E SOPROS Nº 7

Compositor: Tasso Bangel



Vida e Obra

Tasso Bangel é um compositor brasileiro nascido em Taquara, Rio Grande do Sul, em 1931. EStudou e formou-se em piano, acordeão e matérias teóricas, no Instituto de Belas Artes e no Instituto Musical Porto Alegre. Posteriormente se aprofundou em composição, orquestração e regência, com os maestros Roberto Eggers e Salvador Campanella.
Em 1948, formou o Conjunto Farroupilha, grupo vocal pioneiro que se apresentou e levou o som e as cores do Brasil, para diversos países das Américas, Europa e Ásia.
Em 1950, participou da primeira transmissão de televisão no Brasil, na TV Tupi de São Paulo. A partir desse ano começou a compor e fazer arranjos orquestrais, sendo iniciada a gravação de 23 álbuns com os Farroupilhas e de duas obras de câmara e sinfônicas.
Com o Conjunto Farroupilha recebeu praticamente todos os prêmio atribuídos a grupos vocais, nos setores de rádio, televisão e shows, inclusive discos de ouro.O Conjunto durou 42 anos com apresentações e gravações pelo mundo.
Conquistou em diversos anos, quatro prêmios da APCA - Associação Paulista de Críticos de Arte, como grupo vocal, compositor de música de câmara e sinfônica.
Em 1985, gravou com a OSESP - Orquestra Sinfônica de Estado de São Paulo e Mto. Eleazar de Carvalho, sua sinfonia N°1 "Farroupilha" e a Suíte Sinfônica "Rodeio Crioulo".
Em 1989, publicou o livro "O estilo gaúcho na música brasileira" pela Ed. Movimento.
Em 1991, foi levada a cena em quatro récitas com a OSPA - Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, e cantores, sua ópera "Um Romance Gaúcho". Também nesse ano, formou o Grupo Tom da Terra, na Universidade Livre de Música, e, em 12 anos de atividade com o octeto vocal, realizou centenas de shows e gravou dois CDs.
Em 1994, ua ópera Romance Gaúcho venceu um concurso nacional de composição.
Em 1997, iniciou suas atividades junto ao Projeto Guri, da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, como arranjador, compositor e regente.
Em 1998, professor nos cursos de Arranjo e Composição na ULM.
Em 1999, foram publicados pela Ed. Vitale, seus "Cinquenta Estudos Brasileiros", para cordas e sopros.
Em 2010, professor de Composição e Arranjo no Instituto de Artes da UFRGS - Universidade Ferderal do Rio Grande do Sul.
Recebeu diversas honrarias, como a "Ordem do Mérito Cultural Carlos Gomes", a "Medalha Simões Lopes Neto" do governo gaúcho por seu relevante trabalho cultural, assim como o "Prêmio Joaquim José Felizardo", a "Medalha Artes Musicais" na URSS, destaqque como compositor, pelo musicólogo Vasco Mariz, em seu livro "História da Música no Brasil" e o Diploma de Honra da Ordem dos Músicos do Brasil, entre outras.
Compositor de mais de 300 obras entre estudos, música vocal, de câmara e sinfônica.
Suas composições têm um caráter nacionalista, fazendo uso do folclore gaúcho e brasileiro. Vasco Mariz o compara a Radamés Gnatalli, e Luiz Roberto Trench diz que suas obras "possuem uma clareza de escrita, qualidade de inspiração, fluência e autenticidade gaúcha, e uma luminosidade de concepção acima do regional, que representam soberbamente o nosso nacionalismo musical a nível internacional".


Entre suas composições, destacam-se:

* Sinfonia concertante para três flautas
* Sinfonia nº 1 (Farroupilha)
* Suíte Sinfônica Rodeio Crioulo
* Suítes gaúchas N° 1 e n°2 para orquestra de cordas
* 48 Sextetos de Cordas
* Poemas sinfônicos De Cabral a 2000, Jesus de Nazareh, e Rio Grande Chucro
* Concerto para flauta e orquestra
* Ópera Um Romance Gaúcho.
* Trio para piano, viola e clarinete.
* 5 Fantasias Sinfônicas: Gauchíssima, Coração Gaúcho, Querência, Fronteiras e Raízes.


Parte -se agora para a análise da música Pequeno Quarteto de Cordas e Sopros nº7, quanto:

Ao Compasso: 6/8 - Trata-se de um compasso binário composto! Segundo muitos livros de teoria, para se chegar a um compasso binário composto, multiplica-se o numerador de um compasso binário simples por 3 e o seu denominador por 2. É justa a afirmação, porém pelo nosso entendimento, as formas de compasso refletem muito do cultural dos povos que o praticam, ainda em seus folclores... Mas de volta à teoria, no caso do 6 por 8, cada compasso ficará preenchido por seis colcheias. Por conseguinte, cada um dos dois tempos do compasso (duas semínimas pontuadas) subdivide-se em três terços de tempo (três colcheias).


Ponto de aumento: É um ponto colocado à direita da cabeça da nota, que tem a função de aumentar a metade do valor que essa nota possuia antes de receber tal ponto.


Por conta da pesquisa sobre compasso, realizada para conhecer as características do compasso 6 por 8, contido no Pequeno Quarteto de Cordas e Sopros nº7, para podermos visualizar e comparar as diferenças, vamos incluir nesse trabalho também exemplos de compassos simples.


Para conhecermos a origem dos denominadores na formação dos compassos, recorre-se ao quadro ou árvore contendo números, figuras, nomes e pausas, encontrados nos livros de teoria musical. Esses denominadores são sempre números referentes às figuras musicais às quais são relativos. Ou seja, no caso do denominador 8, a figura referente é a colcheia. Por isso no compasso 6 por 8, temos seis colcheias preenchendo um compasso. O número inferior indicará o tipo de figuras musicais em que se subdivide a unidade de tempo, e o número superior o total dessas notas no compasso.

Para uma melhor compreensão, é importante esclarecer que um compasso é formado por duas figuras: uma que indica a unidade de tempo e outra, a unidade de compasso. A unidade de tempo indica a figura que preenche um tempo do compasso e a unidade de compasso, a figura que preenche todo um compasso.

Destacando-se a diferença entre compasso simples e compasso composto, o compasso simples é aquele cuja unidade de tempo é representada por uma figura divisível por dois. Tais figuras são chamadas de simples, ou seja, não são pontuadas.

Quanto à divisão por dois das unidades de tempo dos compassos simples, nos compassos de denominador 2 (número relativo à figura da mínima), por exemplo, cada uma dessas figuras "mínima" pode ser dividida em DUAS semínimas; ou nos compassos de denominador 4 (número relativo à figura da semínima), cada uma dessas figuras "semínima" pode ser dividida em DUAS colcheias, etc.

Já o compasso composto é aquele em que a unidade de tempo é um valor composto, ou seja, divisível por três, e consequentemente, pontuado. Quanto a essa divisão por três, segue a lógica de uma figura simples (divisível por dois) adicionada do valor do Ponto de Aumento, que acrescenta uma metade dessa figura simples que recebeu o Ponto.

O compasso binário simples e o compasso binário composto podem ser chamados de compassos correspondentes porque ambos têm dois tempos e a mesma figura rítmica como Unidade de Tempo - no simples a U.T. é a semínima, existindo duas delas por compasso, e no composto, a U.T. é a semínima pontuada, também existindo duas delas por compasso.


À Textura musical:

TEXTURA POLIFÔNICA: Quando a melodia principal é acompanhada de duas ou mais melodias simultâneas. São melodias separadas e independentes que se entrelaçam no meio do caminho, periodicamente, formando harmonias e sucessões de acordes.

Este tipo de textura está relacionado com o contraponto. O contraponto é uma técnica utilizada na composição, onde duas ou mais vozes são criadas levando-se em conta simultaneamente o perfil melódico de cada uma delas e a qualidade do intervalo e da harmonia gerada pela sobreposição de várias melodias. O termo tem origem no latim punctos contra puntum (nota contra nota) e surgiu no Período da Idade Média onde buscou-se traduzir a fé religiosa através da música.


À Instrumentação:

A música Pequeno Quarteto de Cordas Nº7 de Tasso Bangel é escrita para: Violino I, Violino II, Viola e Violoncelo, na parte das cordas, e Flauta, Trompete, Sax Alto - Eb e Sax Tenor - Bb, na parte dos sopros. São, na realidade, dois quartetos independentes, um de cordas e outro de sopros, mas que podem ser executados simultâneamente, dobrando cada uma das quatro vozes entre as cordas e os sopros. Todos os instrumentos tocam melodias independentes que estão na tonalidade de Dó Maior.

A tonalidade de Dó Maior não possui nenhum acidente e, por conseguinte, forma os seguintes acordes em tétrade: C7M, Dm7, Em7, FM7, G7, Am7 e Bm7(b5).

Obs: Para podermos trabalhar essa peça, nessa edição da oficina, tivemos que adaptar a instrumentação, pois nosso grupo dispunha de dois violões, um sax alto e um piano. Assim, o piano tocou a primeira e a quarta voz, o sax alto, a terceira voz, como no original da grade de sopros, um dos violões tocou a segunda voz e o outro violão ficou encarregadado da harmonia, tocando a parte cifrada.

À Harmonia:

ACORDE - GRAU - FUNÇÃO
C - I - T
Dm7 - ii7 - Sr
G7 - V7 - D
G7/9/4 - V7sus - Dsus
F - IV - S
F#° - #iv° - Dim. Aux. 3ª inv.
E7 - V/vi - D/Tr
Gm6 - iv6/ii - s/Sr
A7 - V7/ii - D/Sr
Am - iv - Tr


À Dinâmica:
Os instrumentos variam entre mezzo-forte e piano no transcorrer da música.


Ao Caráter-expressivo:
A música transmite uma sensação de simplicidade, tem um certo tom infantil no sentido da leveza e da noção de brincadeira que ela nos passa.


*Uma produção em conjunto da turma - Oficina de Criação Musical, 2010/2011.
Integrantes: Wagner Rodrigues, Flávia Matias, Francisco Pisseti e Luis Carlos.
Orientador: Diego Costa.


Referências:

http://teoriadamusica.blogspot.com/2007/10/compassos-compostos.html

http://pt.scribd.com/doc/49588213/21/COMPASSOS-SIMPLES

http://pt.wikipedia.org/wiki/Compasso_%28m%C3%BAsica%29

http://www.oswaldogalotti.com.br/materias/read.asp?Id=650&Secao=110

http://pt.wikipedia.org/wiki/Contraponto_%28m%C3%BAsica%29

http://www.tecnet.pt/portugal/ref/40068.html

MATTOS, Fernando. Tipologia dos acordes. Instituto de Artes da UFRGS, 2008.

Para Luiza Dormir - composição de Luis Pissetti



Neste Trabalho, estao Registrados: a escaleta Linha - Composta não sax soprano (Bb), Luis Pelo Pissetti; e, Feitos los Conjunto aula em, uma harmonização (cifras); e OS arpejos dos acordes (aparecendo na Abertura naturais 1-3-5-7 dropados UO), buscando de sempre observar como Notas acrescentadas e como inversões.

* Uma Produção EM Conjunto da turma - Oficina de Criação Musical, 2010/2011.
Integrantes: Wagner Rodrigues, Flávia Matias, Francisco Pisseti e Luis Carlos.
Orientador: Diego Costa.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Apreciação e Análise Musical II


                                                                                                                    

                                        Moacir Santos                 

“Quando eu fujo da minha vaidade, sinto o meu orgulho agachadinho, tão escondidinho fingindo que não existe”. Moacir Santos. Rio, 23/02/66.

BIOGRAFIA:
Moacir Santos é considerado um dos maiores arranjadores e compositores brasileiros e aquele que renovou a linguagem da harmonia no país.
Moacir nasceu em 1926, no dia 26 de julho, em lugar incerto do interior de Pernambuco, entre Serra Talhada, Bom Nome e Belmonte. Desde cedo, sua brincadeira predileta foi “imitar” a banda de música de sua cidade - Flores do Pajeú. Por estar presente em todos os ensaios, logo foi eleito vigia dos instrumentos a fim de evitar que as demais crianças mexessem nos mesmos. À época, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), ainda não existia. Sua ligação com a música era tamanha que ele frequentemente recebia de presente instrumentos e aprendia a tocá-los intuitivamente.
Posteriormente, com 14 anos, tornou-se um dos membros da banda local tocando saxofone, clarinete, pistom, banjo, violão e bateria.  Em seguida, partiu com amigos rumo a cidades maiores e, vivendo como andarilho, tocava de cidade em cidade, no Nordeste.
Em 1943, conseguiu sua primeira oportunidade de apresentar-se no programa chamado “Vitrine”  da Rádio Clube Pernambucana.  No ano seguinte, ingressou como sax-tenorista na Banda da Polícia Militar da Paraíba. Em 1945, Severino Araújo, que estava formando a Jazz Band da Rádio Tabajara da Paraíba, o convidou para ingressar como sax-tenorista e clarinetista. Em 1948, mudou-se para o Rio de Janeiro e com a ajuda de Lourival, tornou-se o sax-tenorista solista da Orquestra do Maestro Chiquinho.
Estudou Teoria, Harmonia, Contraponto, Fuga e Composição com Paulo Silva, José Siqueira, Virgínia Fiusa, Cláudio Santoro,  João Batista Siqueira, Nilton Pádua, Guerra Peixe, e Hans Joachim Koellreutter, de quem se tornou assistente.
Em 1951 foi convidado por Paulo Tapajós para participar do programa “Quando os maestros se encontram” e fez o arranjo da música Na baixa do sapateiro, de Ary Barroso e Melodia para Trompa em Fá, de sua autoria, tornando-se assim, membro do quadro efetivo de maestros da emissora. No ano seguinte, fez um curso de composição do Professor Ernest Krenek e surpreendeu rapidamente a compor sob o novo método ensinado - dodecafonismo.
Em 1954 foi convidado a dirigir a Orquestra da TV Record de São Paulo e dois anos depois retomou suas atividades na Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Trabalhou com Ary Barroso na direção artística da gravadora Rozemblit e como condutor de orquestras em gravações da Copacabana Discos, revelando-se um dos mais competentes arranjadores brasileiros.
No ano de 1960, por sua destacada atuação, recebeu o diploma de “Músico do Ano”, pelo Sindicato de Músicos Profissionais do Estado da Guanabara (que em 1975 se fundiria ao estado do Rio de Janeiro) e pela União dos Músicos do Brasil. Nessa década, sua carreira chegou ao ápice: recebeu diversas propostas de composição para cinema e trabalhou com diversas estrelas da bossa nova. Vinícius de Morais o cita na música Samba da BênçãoA bênção, Moacir Santos, que não és um só, mas tantos,  tantos como o meu Brasil de todos os santos...”.
Em 1963 escreveu os arranjos do disco “Vinícius de Morais e Odete Lara” e participou de um disco de Baden Powell como pianista e cantando um dueto com Alaíde Costa. Segundo Badedn Powell, que foi aluno do maestro, “...ele era um professor sensacional, meio metafísico, explicava a harmonia, os intervalos entre as notas, as dissonâncias, usando por exemplo as estrelas”. Dizia Baden, “Fui estudar com ele essas "sabedorias". Seguindo suas produções nesse período, escreveu para os filmes “Seara Vermelha” de Jorge Amado, “Ganga Zumba” de Cacá Diegues, “ O santo médico” do diretor francês Sacha Gordine, “Os fuzis” de Ruy Guerra, “O beijo” de Flávio Tambellini dentre outros.
Em 1965 lançou seu antológico disco “Coisas”. Diz que é assim chamado porque como suas composições são populares e não podem ser denominadas de Opus - como ele realmente desejaria - são “analogamente” chamadas de coisas, então. Ainda nesse ano, compôs para o filme norte-americano “Amor no Pacífico” e recebeu de presente do Itamaraty uma passagem para assistir a pré-estréia do filme em Nova York. O clube brasileiro de Nova Jersey, sabendo da ocasião, aproveitou para chamá-lo para a comemoração do Dia da Independência do Brasil, ao lado de, dentre outros, Juscelino Kubitschek.
Em 1966 foi nomeado Membro da American Society of Composers Authors and Publishers (ASCAP). No ano posterior, desligou-se da Radio Nacional e mudou-se para os Estados Unidos onde passou a dar aulas em casa até se tornar membro da Associação dos Professores de Música da California, Los Angeles.
Em 1968, participou da equipe Henry Mancini de música para cinema. Em 1972 lançou seu primeiro álbum no exterior indicado ao Grammy Awards chamado “The Maestro”.  Em seguida vieram “Saudade” (1974), “Carnival of the Spirits” (1975), e Opus 3 nº1 (1979).
Em 1977 foi nomeado Membro da Music Teachers Association of California (MTAC). Em 1985 Radamés Gnattali o escolheu para abrir o I Free Jazz Festival no Rio de Janeiro. No ano seguinte, recebeu o diploma da Ordem dos Músicos do Brasil, e em 1987, sua entrevista concedida ao Jornal do Comércio foi transcrita para os Anais da Câmara Municiapl do Recife.
Em 1994 participou como professor do curso Festival de Inverno de Campos do Jordão, e ainda nesse ano, recebeu o diploma da Academia Pernambucana de Música. Passados dois anos, recebeu a Comenda de Grau de Oficial da Ordem do Rio Branco do Presidente da República e foi homenageado com o “Tribute to Moacir Santos” pelo Brazilian Summer Festival.
Em 2001, foi lançado o cd duplo intitulado Ouro Negro, que resgatou obras anteriores suas apresentadas em seus arranjos originais transcritos por Mario Adnet e Zé Nogueira. O cd contou com a participação de grandes nomes da música popular brasileira, como: Gilberto Gil, Milton Nascimento, Ed Motta, Djavan, João Bosco, Joyce, João Donato e Muiza Adnet. Em março deste ano, entraram em estúdio: os saxes de Zé Nogueira, Nailor Proveta, Marcelo Martins e Teco Cardoso; os trombones de Vittor Santos e Gilberto Oliveira; o trompete de Jessé Sadoc; o clarone de Paulo Sérgio Santos; a flauta de Andrea Ernst Dias; a trompa de Phillip Doyle; os pianos de Cristóvão Bastos e Marcos Nimrichter; o violão de Mario Adnet; a guitarra de Ricardo Silveira; os baixos acústicos de Zeca Assumpção e Jorge Helder e o elétrico de Bororó; a bateria de Jurim Moreira; a percussão de Marçalzinho, além dos cantores já mencionados.
Em 2005, foi lançado o CD "Choros & Alegria", registrando suas composições "Agora eu sei", "Outra coisa", "Paraíso", "Saudade de Jaques", "Vaidoso", "De Bahia ao Ceará", "Excerto No. 1", "Flores", "Cleonix", "Ricaom", "Lemurianos (Pâtâla)", "Rota Infinito", "Carrosel", "Samba di Amante" e "Felipe"; todas escritas muitos anos antes de sua fase modernista emblematizada no LP "Coisas". O disco produzido por Mario Adnet e Zé Nogueira, contou com a participação do renomado trompetista Wynton Marsalis. Ainda nesse mesmo ano, foram lançados os songbooks "Cancioneiros Moacir Santos".  Em 2006, o CD "Choros e alegria" foi contemplado com o Prêmio Tim, na categoria Melhor Disco/Projeto Especial. Em julho, foi vencedor do 26º Prêmio Shell de Música, pelo conjunto da obra. No dia 6 de agosto desse ano, Moacir veio a falecer. No dia 8 de novembro, sua viúva Cleonice Santos, e seu filho, Moacir Santos Jr., receberam das mãos do presidente Lula e do ministro Gilberto Gil, a medalha da “Ordem do Mérito Cultural” conferida ao músico.

OBRA:
  * Agora eu sei   * Amalgamation   * Amphipious   * Anon   * Bluishman   * Bodas de prata dourada   * Carrosel   * Cleonix   * Coisa n° 6   * Coisa nº 1 (c/ Clovis Melo)   * Coisa nº 10   * Coisa nº 11   * Coisa nº 12   * Coisa nº 2   * Coisa nº 3   * Coisa nº 4   * Coisa nº 5 - Nanã   * Coisa nº 7 (Evocative) (c/ Mario Telles)   * Coisa nº 8 (Navegação, Make mine blue) (c/ Regina Werneck e Nei Lopes)   * Coisa nº 9 (c/ Regina Wernek)   * De Bahia ao Ceará   * De repente estou feliz (Happy happy)   * Excerto No. 1   * Felipe   * Flores   * Jequié (c/ Aldir Blanc)   * Kamba   * Kathy   * Lamento astral (Astral Whine)   * Lembre-se (c/ Vinicius de Moraes)   * Lemurianos (Pâtâla)   * Mãe Iracema   * Maracatu, Nação do Amor (April child) (c/ Nei Lopes)     * Maracatucutê   * Menino travesso (c/ Vinicius de Moraes)   * Oduduá (What´s my name) (c/ Nei Lopes)   * Orfeu (Quiet Carnival) (c/ Nei Lopes)   * Outra coisa   * Paraíso   * Quermesse     * Ricaom   * Rota Infinito   * Samba di Amante   * Saudade de Jaques   * Se você disser que sim (c/ Vinicius de Moraes)   * Sou eu (Luanne) (c/ Nei Lopes)  * Suk-cha   * Triste de quem (c/ Vinicius de Moraes)   * Vaidoso. 

DISCOGRAFIA:
* ([S/D]) Opus 12 nº 1 • Discovery • LP  * (2007) As canções de Moacir Santos • Adnet Música/Tratore • CD  * (2005) Choros & Alegria • Biscoito Fino • CD  * (2001) Ouro Negro • MP,B/Universal • CD  * (1997) Arranjadores • Projeto Memória Brasileira • CD  * (1975) Carnival of Spirits • Blue Note • LP  * (1974) Saudade • Blue note • LP   * (1972) The maestro • Blue note • LP  * (1965) Coisas • Forma • LP.


Música: Coisa Nº 1 (Moacir Santos/Clóvis Mello) - Análise teórico-perceptiva

Analisando a música em questão, Coisa nº1, encontramos como tonalidade, Ré menor. Os acordes em tétrade dessa tonalidade são: Dm7, Em7(b5), F7M, Gm7, A7, Bb7M, C#°. Considerando a presença das notas sib, dó#, dó natural e si natural, na formação dos acordes que harmonizam a Coisa, definimos a escala ocorrente como sendo a de Ré menor Melódico.
O compasso é binário simples (2 por 4), ou seja, duas pulsações por compasso, valendo uma semínima cada. Tal compasso é usado em marchas, algumas composições de jazz e de música erudita, além de diversos outros estilos de música populares como frevo, baião, samba, blues (shuffle), etc
Parte-se agora para a descrição da harmonia gradual e funcional da música:

ACORDES
GRAU
FUNÇÃO
E7
V/V
D/D
A7
V
D
Dm7
i
t
Am7
iii /III
Dr/R

Gm7
iv
s
Fmaj7
III
tR
Em7
ii
sr
C7
V/iii
D/tR
D7
V/iv
D/s

A música, em sua orquestração, possui instrumentos como o saxofone alto, sax-barítono e sax-tenor, trompete, trombone, violão, contrabaixo e bateria.
A peça possui textura polifônica, ou seja, a melodia é acompanhada de uma ou mais melodias simultâneas. O saxofone barítono faz a melodia principal enquanto que os demais instrumentos fazem os contracantos. Os contracantos servem para “enfeitar a música”, através da criação de diferentes vozes que acompanham a melodia principal. Geralmente possuem deslocamentos de notas independentes entre os instrumentos.  Na música coisa n.1, isso parece ocorrer numa forma de “pergunta e resposta”, ou seja, as melodias do solista e dos demais sopros, se complementam.
O tema é bastante repetitivo, sendo enriquecido com variações e solos. O estilo mistura jazz e bossa nova, muito populares na época. Músicos como Herp Albert e Burt Bacharach, na Califórnia, também fizeram essa mistura, trazendo uma batida latina às suas composições.
Quanto à forma, pode-se dizer que é: A, B, A’, B’, A, B-fade-out. Há uma introdução (Compasso 1-6), Tema A (C. 7-16), Tema B (C. 17-32), Tema A’ (C. 33-42), Tema B’ (C. 43-58), dae tem uma repetição ao A inicial e segue o B em fade-out até acabar.

PARTES              TEMPOS                      COMPASSOS
Introdução          0.00  à  0:10 s                  1 ao 6  
     A                   0:11  à  0:27 s                   7 ao 16
     B                   0:28  à  0:53  s                  17 ao 32
     A’ (SAX)        0:54  à  1:10  s                  33 ao 39

   Nessa parte A’, é como se a melodia de A estivesse tocando ao fundo, no entanto, ela foi substituída por um improviso de sax-alto. Do compasso 40 ao 42, o sax solista, retoma o final original da melodia de A, dando a deixa para  seguir o B’.                                                                                                                                                
     B’                 1:11  à  1:37 s                    43  ao  58
     A                  1:38  à  1:53  s                   “59 ao 68” *
     B                  1:54  à  3:42  ( fim)            “69” e  fade-out.

*Esta numeração está entre aspas porque, pela nossa partitura, há uma indicação de repetição ao compasso de número sete, ou parte A, seguindo no B fade-out.

A dinâmica musical refere-se à intensidade sonora que o compositor quer que certa nota ou certo trecho musical seja executado. A  sua gradação vai desde de molto-pianíssimo até molto-fortíssimo. Na música coisa nº1, a melodia principal é executada em mezzo-forte enquanto que os contracantos são executados em mezzo-piano. Quando ocorre o solo do sax alto, parte A’ (C. 33), este é executado em forte (mais pela intenção que o solista imprime à sua interpretação) e os contracantos são em mezzo-piano. Para este solo de sax-alto, há uma indicação na partitura, entretanto, não há música escrita para ele, sendo, o que ouvimos neste trecho - com extensão de 10 compassos, o resultado de um improviso do músico que atuou na gravação. Observamos que a partitura não traz indicação de dinâmica, ficando essa, muitas vezes sujeita à interpretação e ao bom senso utilizados pelos músicos. Na parte B’, a melodia de B é retomada numa dobra de trombone e sax-alto. Nesse momento, a dinâmica da banda parece estar toda mais pro mezzo-piano.
Quanto ao caráter expressivo, a peça transmite uma sensação de modernidade, de irreverência e de ânimo, principalmente na introdução, sente-se isso (subjetividade)! E quando se chega ao tema, parece que se travam diálogos entre os saxes, que há uma história sendo contada... A música apesar de sua modernidade, traz certa nostalgia também, remetendo aos anos 60, do esplendor da Bossa Nova no Brasil, da música de Sérgio Mendes, de Herp Albert e de Burt Bacharach, nas rádios de música internacional. Além disso, transmite muita sensação de ordem e de minimalismo, daí, novamente citar que por isso o feeling de modernidade está presente! É como se lembrasse as obras do arquiteto Oscar Niemeyer - criativas, originais, imponentes, mas minimalistas! 

Quadro de Dinâmicas
ppp
molto-pianíssimo
pp
pianíssimo
p
piano
mp
mezzo-piano
mf
mezzo-forte

 f
forte
ff
fortíssimo
fff
molto-fortíssimo

 *Uma produção em conjunto da turma - Oficina de Criação Musical, 2010/2011.
Integrantes: Wagner Rodrigues, Flávia Matias, Francisco Pisseti e Luis Carlos.
Orientador: Diego Costa.


Referências:
NOGUEIRA, Zé; ADNET, Mario. Cancioneiro Moacir Santos: Ouro Negro. Rio de Janeiro: Jobim Music, 2005.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Apreciação e Análise Musical I

  

 

Keith Jarrett, Jack DeJohnette, Gary Peacock.
   
Introdução:

        Este texto tem como objetivo realizar uma análise crítica teórico-perceptiva da performance dos músicos Keith Jarrett (piano), Gary Peacock (contrabaixo) e Jack DeJohnette (bateria), na execução da música instrumental Prism, no Koseiniki Hall, na cidade de Tokyo (Japão), em 15 de fevereiro de 1985. O vídeo abaixo, é um recorte dos 7’49’’ finais da performance completa dos músicos já mencionados, executada nos locais e datas também citados acima.
 

Sobre os músicos:
                                                           
KEITH JARRETT

Nascido em Allentown em 8 de maio de 1945, é um compositor e pianista estadunidense. Suas técnicas de improvisação conjugam o jazz a outros gêneros e estilos, como a música erudita, o blues, o gospel e outros.
    Desde cedo mostrou-se um prodígio musical: aos três anos começou a ter lições de piano e já com sete realizou apresentações como solista, compôs peças para piano que posteriormente masterizava com bateria e sax soprano. Com dezessete anos tocou um concerto de duas horas e estudou com uma famosa professora de piano clássico chamada Nadia Boulanger, em Paris. Viveu um período como free lancer, e outro, participando do Jazz Messengers e do Charles Lloyd. Em 1969, Jarrett integrou no grupo de Miles Davis, tocando piano elétrico. Após esse período com Miles Davis, largou o piano elétrico e passou a gravar somente para o selo que existe até hoje chamado ECM.
Nos anos setenta, Jarrett foi líder de dois grupos: um quarteto americano com Paul Motian (bateria), Charles Haden (baixo) e Dewey Redman (sax), e um quarteto europeu constituído por Jan Garbarek (saxofone), Palle Danielsson (baixo) e Jon Christensen (percussão). Não somente, em 1972 iniciou a sua famosa série de concertos improvisados, da qual resultaram gravações populares como “Solo Concerts”, “Köln Concert” e “Sun Bear Concerts”.
Durante os anos oitenta, executou tanto o estilo clássico quanto o jazz, entretanto, já nos noventa, gravou exaustivamente a sua série “Standards Trio”, ao lado do baixista Gary Peacock e o baterista Jack DeJohnette.
Keith Jarrett, embora influenciado por Bill Evans, possui uma força criativa própria e de extrema importância e influência para o jazz.  

                                                             
GARY PEACOCK

Gary Peacock (nascido em Burley em 12 de Maio de 1935) é um versátil e talentoso contrabaixista americano de jazz. Uma das suas influências foi o saxofonista Albert Ayler, com quem teve a oportunidade de tocar e gravar nos anos 60. Sua música é maravilhosamente afetada também por seus estudos da música e filosofia oriental.
Desde os anos 80 tem feito suas contribuições contemporâneas com Keith Jarret`s Trio do qual Jack DeJohnette faz parte como baterista. Peacock continua também a experimentar suas colaborações com o pianista Paul Bley, com quem trabalha desde a década de 60.
Peacock começou a tocar ainda criança, estudando piano no início, e na adolescência, a bateria. Em 1952, ingressou na Westlake School of Music em Los Angeles, entretanto, seis meses depois a largou. Ele assumiu sua própria educação musical. Dois anos depois, entrou no exército, passando, então, a tocar com a banda militar de sua base, na Alemanha. Paralelamente, desempenhava um trabalho com seu próprio grupo. Quando o baixistista do grupo germânico saiu, Peacock pegou o instrumento e aprendeu por si, tornando-se a partir dali o baixista da banda. Ele disse numa entrevista publicada no Earshot Jazz website: “Once I started playind it, it felt somewhat natural and easy to understand and I got more and more involved with it (Uma vez que eu começei a tocar, eu senti um pouco natural e fácil de entender e eu fiquei mais e mais envolvido com isso).”
    Mesmo após ser liberado da função militar, Peacock permaneceu na Alemanha por breve período, se juntando ao quinteto do saxofonista Hans Koller. Mais tarde, naquele ano, retornou a Los Angeles onde começou a trabalhar com os saxofonistas Bud Shank e Art Pepper e o guitarrista Barney Kessel. Ele também viajou com Terry Gibbs, gravou seu primeiro álbum com a tecladista Clare Fischer e começou sua parceria de longa data com o pianista Paul Bley. Em 1962, mudou-se para Nova York onde continuou a trabalhar com Bley e foi introduzido para o influente vanguardista Albert Ayler. Ele disse na mesma entrevista: “ He was about music, really, really about music and about continual development with instrument, with technique, with all of that. So when he play it wasn`t just squawks and beeps and honks and that kind of thing. He was really, he was coming from a real place. It was authentic. It was him ( Ele era música, realmente, realmente música e o contínuo desenvolvimento com o instrumento, com ténica e com tudo isso. Então, quando ele toca não são somente batidas e sons. Isso era autêntico. Isso era ele)”.  Além de Ayler, Peacock apresentou-se com o pianista George Russel e saxofonista Archie Shepp, e então, ingressou no quarteto, integrando, com Bley, com o trompetista/cornetista Don Cherry e o percussionista Pete LaRoca.
    Durante esse período ele também se tornou parte do trio do pianista Bill Evans e gravou num segundo trio com Bley e Paul Motian (percussionista do trio de Evans). Também tocou por um breve período no quinteto de Miles Davis. Mais tarde naquele ano saiu em turnê pela Europa com Ayler, Cherry e Sunny Murray; apareceu em diversas apresentações de Ayler incluindo no Spiritual Unity que o estabeleceu como um dos mais talentosos contrabaixistas do Jazz de acordo com o New Grove Dictionary of Jazz. Em 1969 mudou-se para o Japão para estudar a filosofia e medicina oriental em visa de uma úlcera que o assolara.  Lá ele gravou com o saxofonista Sadao Watanbe, com o pianista Masabumi Kikuchi e com diversos músicos americanos que visitavam o país.
    Em 1972 retornou aos Estados Unidos e ingressou no programa de biologia da universidade de Washington, formando-se quatro anos depois. Após terminar seus estudos, ele retornou ao Japão com Bley e Barry Altschul e seu tour produziu o LP Japan Suite. Peacock começou a conquistar um nome, Down Beat magazine disse: “The reemergence of the unique voicings and intricate logic of bassist Gary Peacock has been on of the undeniable pleasures of the las few years (O ressurgimento de vozes únicas e a lógica intrigante do baixista Gary Peacock tem sido um dos inegáveis prazeres dos últimos anos)”. Em 1979, ele tornou-se professor na Cornish School of the Allied Arts e permaneceu até 1983. Durante esse tempo continuou a apresentar-se e gravar com Bley, Jarrett e DeJohnette. Em 1995, com o Bley e o trompetista Franz Kolgmann, foi lançado o album Annette estrelando as músicas da inovadora voaclista Annette Peacock, que tinha sido casada com ambos ele e Bley.
    As gravações de Peacock com Jarret e DeJohnette o levou a uma nova direção de volta para o jazz. Peacock diz:  "What is your intention? Are you just going to go out and play the songbook? Or are you going to, is your intent to go deeper and deeper and deeper into the music? Going deeper into the music doesn't have anything to do with whether it is a standard or whether it is free playing or whether it is swing. That doesn't ma ke any difference. (Qual é a sua intenção? Você apenas pretende sair e tocar o que está no songbook? Ou é seu intento ir fundo e mais fundo na música? Indo mais afundo na música não tem nada a ver quer com o estilo standard, música livre ou swing. Isso não faz diferença alguma)" Em 1999, Peacock e Bley reuniram-se com Motian, com quem haviam tocado nos anos 60 para gravar Not Two, Not One. O álbum foi recebido entusiasticamente pelas críticas e Peacock contou a Earshot Website, refletindo suas crenças influenciadas pelo Oriente, que ele não tem um plano para sua música e que viver no presente para ele é a chave. Essa atitude contagiou a filosofia do trio de Jarrett apesar da existência de 20 anos do grupo. “There`s a sense of every perfomance being the first time we`re playing together and teh last time we`re playing together her. Because we don`t know what will happen. Are we ever going to play again? (Existe uma sensação de que toda performance nossa é como se estivéssemos tocando pela primeira vez e como se fosse a última vez também. Por que não sabemos o que irá acontecer. Nós iremos alguma vez tocar novamente?)”, Peacock disse a Earshot.

 

   JACK DEJOHNETTE

Jack DeJohnette (nascido em Chicago em 9 de agosto de 1942) é um baterista americano de jazz, além de pianista e compositor. É considerado por muitos como o rei dos baterista, pois domina qualquer que seja o ritmo: free, mainstream, blues, funk ou pop.
    Iniciou seus estudos de música com piano clássico para aos 10 anos mudar para a bateria. Como Bacharel da American Conservatory of Music de Chicago, trabalhou em diversos estilos musicais, como com a AACM de Lester Bowie e Anthony Braxton até, em 1966, mudar-se para Nova York.  
    Participou do quarteto de Charles Lloyd por três anos junto com Keith Jarrett e Ron McClure. Durante esse período também gravou ou atuou com Coltrane, Bill Evans, Monk, Getz e Hubbard, entre outros. Fez parte da troupe de Miles Davis nas sessões de “Bitches Brew” em meados de 1969 e se juntou ao grupo de Miles no outono de 1970 durante um ano. Jack passou a gravar com seus próprios grupos para os selos Milestone, ECM, Impulse! e Blue Note. Um dos seus mais importante trabalhados foi e está sendo desenvolvido há mais de 10 anos no “Jarrett Standards Trio” junto com Gary Peacock. Outros trabalhos de renomada importância na obra de DeJohnette estão nos seus grupos “New Directions” e “Special Edition”.

Música: Prism - Análise teórico-perceptiva:

Trata-se de um trio básico instrumental - contrabaixo, bateria, e um instrumento solista, neste caso, o piano.
A tonalidade utilizada é a de Mi maior. A harmonia contém três acordes - E, C#m e A. São estes os acordes formados sobre o 1°, o 6° e o 4° graus da eclala natural de Mi Maior.
Os músicos interagem bastante no decorrer da performance. Ao prestar mais atenção é possível perceber algumas melodias cantadas de forma improvisada, em certos trechos, de uma forma quase infantil e lúdica, brincando com a música. Percebemos que esses “vocalizes” são de Jarrett, e achamos que brotam da emotividade vivida pelo músico em determinados trechos de seus improvisos. Ouvindo outras performances de Jarrett, notamos que é característica dele, realizar tais intervenções vocais
A melodia que mais se destaca fica a cargo do piano. O piano trabalha bastante, há muitos improvisos, e em alguns momentos, sentimos que o que parecia simples, atingem um elevado grau de complexidade. Concordamos que tal nível de profundidade ocorre pela capacidade musical de Keith Jarrett.
A melodia, em tonalidade maior, é bastante empolgante e alegre. Transmite uma sensação de leveza. Remete a um parque onde crianças brincam livremente.
O compasso é quaternário (4 por 4). Quanto à base rítmica, há, dentro de um compasso: semínima, semínima, semínima, colcheia e colcheia acentuada e ligada ao primeiro tempo do próximo compasso. Segue essa descrição até a próxima ligadura, e assim sucessivamente. Dessa maneira, firma-se um padrão rítmico de base. Esse padrão é sincopado, e caracteriza a levada da música. Esta síncope verifica-se nos graves com sustentação de som (mão esquerda do piano e contrabaixo). Reservadas algumas variações existentes no decorrer da música, num geral, é isso aí.
A bateria executa a célula rítmica citada acima, onde o chimbau é tocado fechado em semínimas, sozinho no tempo 1, e junto com o bumbo, nos tempos 2, 3 e 4, e é aberto na última colcheia de cada compasso (aquela que contém o acento e a ligadura), quando o músico, simultaneamente, toca o bumbo e a caixa.
O baixo faz uma linha muito simples, utilizando poucas notas. Essas notas são basicamente as fundamentais da harmonia. Há também um pedal sendo realizado na nota Mi. Salienta-se, no entanto, a emotividade de Peacock e o sentido musical dado por ele a cada nota.
Existe um padrão melódico, rítmico e harmônico, que se repete ao longo de toda a composição, porém, com certas variações nos arranjos.
A dinâmica dos músicos é um aspecto importante a ser comentado. A música cresce em certo momento e noutro quase some para posteriormente reaparecer. Num geral,  mantém-se numa linha menos explosiva e mais viajante.
A composição vai sendo finalizada num fade-out até diluir-se por completo.

*Uma produção em conjunto da turma - Oficina de Criação Musical, 2010/2011.
Integrantes: Wagner Rodrigues, Flávia Matias, Francisco Pisseti e Luis Carlos.
Orientador: Diego Costa. 

Referências: